Rise of the Robots: A farsa

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Em 1994 o mercado dos videogames ainda passava por aquela fase dos jogos de luta que começou com Street Fighter 2 e Mortal Kombat. A porrada comia pra todos os lados só que naquela altura ninguém ligava mais, agora pra conseguir vender um jogo de luta ele precisava ter mesmo alguma coisa que chamasse a atenção da galera. Vendo isso, a Mirage (The Humans!) e a Time Warner Interactive (Street Racer) foram lá e deram ao mundo este mais do que ambicioso projeto, revolucionário, ímpar, uma verdadeira negação.

A história segue a linha cyberpunk que já existia há algum tempo e começava a sair um pouco do gueto: na cidade de Metropolis 4, a fábrica da Electrocorp, maior desenvolvedora de robôs do mundo, busca formas de melhorar sua produção em quantidade e qualidade. Eles desenvolvem o robô perfeito chamado The Supervisor que vai cuidar de todas as tarefas da fábrica sozinho. A coisa foge do controle quando o vírus EGO pega o Supervisor, que por sua vez passa ele adiante pro resto da fábrica, que aí é fechada pra manutenção e mandam o Cyborg cuidar dos robôs infectados e o próprio vírus.

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Nada mal, bem na média do que se via por aí, mas uma história dessas pede uma certa dose de tecnologia na tela o tempo todo. Isso não é problema, as maiores estações gráficas da época foram contratadas e aí num esquema tipo Donkey Kong Country os cenários foram e personagens foram criados, não só os gráficos do jogo em si mas as cenas em CG que passam a todo momento. Tem a da abertura, o começo do jogo, o menu, a tela de VS, o começo da luta, o fim da luta… e o som? Trilha sonora assinada por ninguém menos que Brian May, guitarrista do Queen! Nada mal hein?

Nada mal mesmo, na teoria esse é o melhor jogo de luta que já deve ter existido. Infelizmente esse foi mais um daqueles casos de que deviam falar menos e trabalhar mais na coisa. Vamos tomar como referência o vídeo ali em cima e a parte de trás de uma das capas:

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360° de movimento? Movimentos supervisionados por um artista marcial? Cenários feitos por um arquiteto? Movimentação de 100 frames por segundo? Oponentes que aprendem com os seus erros em microssegundos? Primeiro jogo com gráficos 3D controláveis? Música de Brian May? Alguém esqueceu de avisar pra esses caras que isso tem que ser colocado dentro do jogo, não só da capa, em alguns países mais sérios isso podia mandar muita gente pra cadeia por propaganda enganosa. De tudo isso listado, a única coisa que sobrou mesmo foi a afirmação da música, que de “trilha sonora” mudou pra “trecho de 5 segundos na tela de apresentação”, a música que toca no jogo mesmo acabou sendo uma trila genérica feita pelo pessoal lá da Mirage mesmo.

Os gráficos estão mesmo bem feitos, maaaaaaaaaaaas… 100 frames por segundo? No total o jogo todo deve ter 100 frames se contarmos todos os jogadores e olhe lá. As cenas em CG, que mesmo com todas as limitações apareceram por alguns poucos segundos nas versões 16 e 8 bits, a maioria na verdade tá lá só mesmo pra encher lingüiça. As fotos e cenários ficaram bem feitos, mas é pouco pra poder salvar o jogo.

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Na questão da jogabilidade, outra tragédia: 6 botões, socos e chutes iguais e a tal inteligência artificial se limita a repetir o mesmo movimento que vai ganhar do teu ataque. Conseguiram botar ali no meio um modo pra 2 jogadores, o segundo pode escolher qualquer um dos inimigos enquanto que o primeiro sempre vai usar o Cyborg, um verdadeiro erro.
Fechando a coisa toda, supreendentemente esse jogo vendeu muito bem, tudo graças a esse burburinho todo em cima dele. Não é preciso dizer que quase todos esses compradores se revoltaram com a porcaria que compraram já que esse jogo não vale nada. E mesmo essas vendas que não tenham sido lá grandes números, ela pode ser atribuída a quantidade de sistemas pra que o jogo foi lançado: praticamente todos os que existiam na época como pode ser visto aí na galeria. A versão DOS vinha em incríveis 12 disquetes!


Não bastando isso, no mesmo ano foi lançada a versão do diretor, que trazia um cd a mais com bastidores e extras.

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Tragédias são coisas que nunca passam sozinhas, e por fim lançaram em 1996 a continuação(!) deste jogo. Rise 2: Ressurrection seguiu uma linha mais normal e dessa vez saiu um jogo de luta bem melhor, o jogador podia escolher com quem ia jogar entre  18 robôs, tinham golpes especiais e até fatalities no meio.

mas já era tarde pra consertar as coisas e a série caiu num quase esquecimento, e ficou no quase porque o primeiro título foi realmente muito ruim a ponto de marcar seu lugar na história.

Gráficos: star-color23star-color23star-color23star-halfstar-grey22
OST: star-color23star-grey22star-grey22star-grey22star-grey22
Jogabilidade: star-grey22star-grey22star-grey22star-grey22star-grey22
Gameplay: star-grey22star-grey22star-grey22star-grey22star-grey22
Diversão: star-grey22star-grey22star-grey22star-grey22star-grey22
Geral: star-halfstar-grey22star-grey22star-grey22star-grey22

8 Responses to Rise of the Robots: A farsa

  1. brunocarreirao disse:

    Esse aí não agüentou a concorrencia com One Must Fall hahahhaa

  2. brunocarreirao disse:

    Não resisti a curiosidade e vou baixar hahahha

  3. Max Carnage disse:

    Como diria o dalborga: cadeia neeeeeeeeeeeelesssss!!!!!

  4. Videl disse:

    uaeuhaehu esse jogo é mesmo um lixo!!!
    Porra gente, to sem net! :X
    esqueci de pagar a conta….

  5. Raphael Belmont disse:

    Eu já joguei essa ABOMINAÇÃO no Ps1, e em verdade vos digo: NÃO JOGUEIS, IRMÃOS.

  6. 9voltclub disse:

    LEmbram do ET do Atari2600?

  7. Vítor "Liadz" disse:

    Baixei o do SNES, a música de abertura repetitiva é o que o cara do Queen fez? Noooofa!
    E jogar apenas com um chute duro e um soco duro é muito ruim.
    Mas é melhor que ET.

  8. jdarshcosta disse:

    uahueahueaheau
    Eu tinha esse jogo pra Ps1. É um lixo radioativo, esse ae!!

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